
Era uma noite ensolarada de Verão. O frio era insuportável, e chovia a potes no deserto.
Abriguei-me numa casa sem telhado, à sombra de um candeeiro apagado, a ler um jornal sem letras que dizia: o mundo é uma esfera quadrada que gira parada á volta do sol. Olhei para cima, e podia ver claramente no negro da noite abutres que rastejavam por debaixo do chão.
Nisto entra um homem nu, tira uma faca do bolso, dá três tiros para o ar e silenciosamente grita a plenos pulmões: mais vale morrer que perder a vida. E recuou, seguindo em frente, sempre paralelamente à rotunda, correndo sem se mover, até encontrar um mudo que estava ao telemóvel com um surdo, contando-lhe que amanhã um cego viu um paralítico correr atrás dum careca para lhe arrancar o cabelo.
Assim sendo, desejo-vos um bom dia, porque o sol brilha e as corujas copulam, os bezerros ladram ao passar das boas secretárias, enquanto os ovos mexidos se levantam e se submetem por objectivos mais adiante.
Enquanto tudo assim for, não há papel musculado que não verifique se a porta está fechada, porquanto as baleias que cruzavam os oceanos não interromperem a sessão do Alentejo bravio.
Bem hajam
Eu por mim, vou para casa, ter com a minha pequena, que berra e barafusta sem cessar.
E com a minha filha, que também está lá em casa.
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